LOUVA-A-DEUS DO NORTE SETE ESTRELAS 

 

História do
Estilo Louva-a-Deus
A Invenção e Desenvolvimento
do Louva-a-Deus do Norte
Escola de Boxe Chinês

Original escrito por: Grão-Mestre Wong Hon Fan,
Tradução e complemento para o Inglês por: Mestre Tony Chuy.
Tradução para o Português por: 

Alex Victor de Lima

Prof. Samuel Mendonça e Si-Gung Brendan Lai
 
Ao término da Dinastia de Ming (metade do século XVII) viveu um nativo de Shantung, com o nome de Wong Long. Ele era um homem muito patriótico e considerado pelo governo Ming como um subvertido, ele sempre estava pensando em dar o corpo e alma em defesa do país. Porém, suas tentativas eram fúteis e seu entusiasmo rejeitado. Abatitdo, ele se retirou da Montanha Sung e praticou no Templo de Shaolin, na esperança de que um dia isto lhe seria útil.
Depois da Dinastia Manchuria Ching assumir os reinados de governo, Wong pensou que este era o momento para oferecer seus serviços. Porém, achou que não haveria nenhum lugar para ele no governo Ming que se desmoronava, e nem no exército. Assim, voltou ao Templo de Shaolin e planejou lutar com forças de guerrilha contra os invasores. Infelizmente, o governo de Ching descobriu os planos dele, mas por causa de sua habilidade superior, em uma manobra astuta e com a ajuda dos colegas, Wong escapou, acompanhado por seu instrutor. Evitando ser pego novamente pelos soldados, eles usaram a rota pelo "terras altas", por via das Montanha de Ngo-Mei e Montanha de Kwan-Lun, chegando eventualmente a Montanha de Lao, na Província de Shantung.
No entanto, o Si-Fu de Wong morreu devido a sua avançada idade e um de seus colegas o sucedeu. Com o passar do tempo, Wong lutava amigavelmente com seu superior, tanto as técnicas de mãos vazias, como as com armas. O superior de Wong estava mais qualificado e então Wong sempre era derrotado. Wong se sentia envergonhado e prometeu que estabeleceria uma meta para exceder a habilidade de seu superior em três anos.

Três anos passaram depressa. Bem preparado, ou assim ele pensou, Wong lutou com seu superior e perdeu novamente. Agora Wong se sentia tão envergonhado que pensou em cometer suicídio. Um dia, o superior de Wong decidiu passar algum tempo viajando e vagando pelo o país, como estava partindo, solicitou a Wong que praticasse diligentemente e que esperaria ver grandes avanços em suas habilidades quando voltasse.


Um dia quente durante a ausência de seu superior, Wong estava chateado em seu confinamento. Assim ele levou sua espada e alguns livros e buscou refúgio do calor nos bosques. Da mesma maneira que ele se esfriou abaixo das árvores, começou a virar as páginas de um livro, e ouviu alguns sons. Os sons pareciam desesperados. Wong observou e achou no alto de uma árvore, um louva-a-deus e uma cigarra em combate mortal. Usando seus braços fortes e pinças como garras, o louva-a-deus atacava agressivamente a cigarra. A batalha terminou logo e a cigarra foi derrotada e devorada.

Tendo assistido à batalha, algo ocorreu a Wong. O louva-a-deus se movimentava artisticamente durante sua matança. Esperava para seus avanços e se retirava perfeitamente; usava golpes a longa distância e esmagamento a curta distância corretamente; pegava e lançava metodicamente. Wong pensou, "Isto não se assemelha às habilidades de uma pessoa lutando”? Assim, Wong capturou o mantídeo e o levou para o templo. Ele procedeu provocando o inseto diariamente com um pedaço de palha e então, cuidadosamente observava as suas reações.

Sendo um homem analítico e inteligente (e perito em vários estilos de artes marciais), Wong descobriu logo que o mantídeo fizera uso de doze métodos principais para ataque e defesa que são conhecido como os doze princípios ou palavras-chave do estilo Louva-a-Deus. Os primeiros três princípios são NGAU, LAU, e CHOI. Individualmente, os significados respectivos deles são gancho, aperto e agarramento. Mas, quando todos os três são usados em combinação, os movimentos atuais são um gancho, um aperto e então um golpe. O quarto princípio é GWA que neste caso significa bloqueio superior. O quinto e sexto princípios são DIL e JHIN que pretendem interceptar e avançar. O sétimo e oitavo princípios são DIEW e DAH, significando gancho e golpe respectivamente. O nono e décimo princípios são JEEN e NEEN. Os significados respectivos deles são aderir e colar e refletem os princípios bem parecidos de luta a curta distância. O décimo primeiro e décimo segundo princípios são TIEP e KAO e significam aderir e apoiar.

Wong pegou os melhores pontos de dezessete outras escolas de boxe chinês daquele momento e os combinou agora em um estilo conciso sem igual, conhecido como o estilo do Louva-a-Deus.

Quando o superior de Wong voltou, três anos depois, lutou novamente com Wong. Sem saber da grande melhoria em sua habilidade, o superior foi jogado longe alguns metros durante o combate amigável. Chocado, ele perguntou para Wong a razão do seu grande avanço marcial. Wong lhe falou tudo o que acontecera. Depois disso, eles praticaram entre si freqüentemente, refinando a arte para um nível superior. Desta forma, o Boxe do Louva-a-Deus foi originado.

Alguns décadas depois, Wong e o superior morreram, mas a arte do Louva-a-Deus não estava perdida. Continuou sendo ensinada aos monges de Templo de Shaolin e foi desenvolvida mais adiante com cada geração. Porém, a arte ainda ficou limitada só às pessoas de dentro do templo, até um monge taoísta chamado de Sin Siu, que vagava ao longo da China, que, ao entrar para o Templo, aprendera a arte ensinada pelos monges.

Depois que Sin Siu deixou o templo, ele ensinou a arte a Lei San Tien. Depois que Lei aprendera o sistema inteiro, então estabeleceu um serviço de escolta na China. Por uma certa taxa, guardaria e transportaria valiosos bens para um destino fixo para seus clientes. O serviço de Lei era notável por sua confiabilidade e segurança ao longo do Norte da China. Lei ficou conhecido pelos ladrões como “Mãos de Relâmpago”. Ninguém pôde derrotá-lo.

Com o passar do tempo, Lei se preocupou se haveria alguém para passar a arte que lhe tinha trazido fama e prosperidade já que não teve nenhum filho. Assim, ele foi a procura de alguém que tivesse tido um treinamento básico suficiente em artes marcias para herdar a arte do Louva-a-Deus. Ele não foi desapontado. Um dia, enquanto estava viajando pela Montanha Fook, ele ouviu falar de um homem chamado Wong Wei San que era o campeão de boxe nacional naquele ano. Assim, Lei visitou Wong e pediu para que executasse algumas de suas técnicas premiadas. Depois de assistir Wong executar, Lei zombou dele e disse que tais técnicas não deveriam ter ganho o campeonato. Wong ficou extremamente bravo e tentou atacar o Lei. Porém, Lei parecia desaparecer no ar. Risos surgiram atrás de Wong, que virou ao redor e tentava agarrar Lei, mas novamente em vão. Ao contrário, ele foi segurado, completamente impossibilitado de se movimentar. Percebendo que ele não consegueria vencer a luta contra o homem mais velho, ele pediu para que Lei se tornasse seu professor. Nos anos que se seguiram, ele aprendeu sem reservas tudo aquilo que o professor dele sabia.

A família de Wong era rica, assim ele não teve com que se preocupar sobre dinheiro. Nem quis exibir sua arte que tinha aprendido a estranhos. Ele praticava com fascinação. Pelos anos que se seguiram, no fim de sua vida, Wong decidiu ensinar sua arte a Fan Yo Tong.

Fan era um homem enorme e pesava mais de trezentas libras e foi conhecido pelas pessoas como "O Gigante Fan". Ele também era excelente nas técnicas de Palma de Ferro. Uma vez, enquanto Fan estava andando pelos campos, ele se encontrou entre dois touros a lutar. Fan os observava, foi quando os touros o confundiram como um invasor e correram em sua direção para atacá-lo. Quando o primeiro chegou, Fan pôs toda sua força na perna direita e desferiu contra o touro um forte chute na barriga. O touro caiu morto imediatamente. Fan tratou o segundo touro severamente da mesma maneira. Ele agarrou um de seus chifres com a mão esquerda e o golpeou duramente com a parte de trás de sua mão direita. O segundo touro também caiu morto. O fazendeiro que era dono dos touros pediu compensação pela perda dos animais, mas Fan recusou-se e argumentou que ele só estava agindo em autodefesa.

Assim, o nome de Fan correu por toda parte da China. Em meados de 1870, alguns russos pediram que Fan competisse em um torneio de boxe na Sibéria. Se não fosse pela ajuda de muitos amigos e colegas que o proveram com os recursos financeiros necessários, ele não poderia ter participado. Quando Fan chegou na Sibéria, derrotou seu anfitrião como também os demais desafiantes. Ele ganhou o campeonato e trouxe glória para a China. Infelizmente, o feito não foi conhecido amplamente devido aos precários métodos de comunicação daquela época.

Em 1919, o comitê da Associação Atlética Jing-Mo de Shangai foi surpreendida pela perfeição desta escola de boxe chinês. Eles enviaram um representante a Shantung pessoalmente atrás de Fan para que ele ensinasse sua arte em Shanghai. Porém, Fan recusou devido a sua avançada idade. Ao invés, ele enviou em seu lugar dois de seus discípulos para representar. Eles eram Wong Wai San e Lo Kuo Yo. Porém, Wong não pôde se acostumar à vida da cidade e assim ele se resignou e voltou à província nativa enquanto Lo permaneceu em Shanghai. Lo (o qual era apelidado de "Quarto Tio") começou aprendendo sobre a supervisão de Fan com uma tenra idade. Ele era famoso por seu Teet Sah Jeung (Técnicas de Palma de Ferro) e Lo Han Gong (uma exercício de energia interna do Louva-a-Deus).

Em 1929, em uma competição nacional de boxe chinês que aconteceu em Nanjing. Um dos estudantes de alto nível de Lo de nome Ma Shing Garm representou Shanghai na competição. Ma ganhou o primeiro prêmio. O nome dele, assim como também o de seu instrutor , apareceu nas manchetes de todos os jornais em Shanghai.

Alguns anos depois, Lo foi enviado pela Associação Atlética Central Jing-Mo para inspecionar filiais da organização deles nas províncias meridionais, sendo essas Hong Kong e Macao.

Lo ensinou em Hong Kong até a Segunda Guerra Mundial começar. Com isso, decidiu voltar a sua nativa província de Shantung. Um dos seus discípulos de “portas-fechadas”, Wong Hon Fan, continuou a missão de promover o Boxe Louva-a-Deus depois que ele partisse. Wong Hon Fan treinou muitos estudantes em Hong Kong, durante os quarenta anos de carreira pedagógica. Ele interrompeu seus ensinamentos em 1972 e faleceu em dezembro de 1973. Ele era famoso e reputado por ensinar o Boxe Louva-a-Deus em Hong Kong.

Entre os discípulos de Wong, há aproximadamente vinte que foram certificados para ensinar. Um destes discípulos é Brendan Lai que está ensinando atualmente em São Francisco, Califórnia. Grão Mestre Lai é um dos precursores que promoveram as Artes Marciais Chinesas nos EUA, nos anos 60. Ele patrocinou muitas exibições de artes marciais e torneios e também foi selecionado como um do Top Ten Instructors nos Estados Unidos pela Revista Inside Kung Fu.

Da invenção do Boxe Louva-a-Deus até hoje, houve uma história de três séculos e meio. Com refinamento ininterrupto e melhoria da arte, tornando assim um dos sistemas mais completos de boxe chinês que é praticado atualmente.

NOTAS: - Todos os nomes apresentados neste texto foram traduzidos na pronúncia cantonesa. É possível encontrar publicações com outros dialetos do chinês. - O Instituto de Gong Fu Brendan Lai é o único a ensinar o Louva-a-Deus na América do Sul, autorizado pelo Grão Mestre Brendan Lai.

 

 

Texto extraído da página Oficial: www.brendanlai.com